Peixe Tocantins Beleza Cultural

Para desenhar o mapa cultural da minha região faz-se necessário descrever em que local estou situada.

Moro na cidade de Peixe, localizada na região norte do país e na parte sul do estado do Tocantins às margens do rio também denominado Tocantins.

É neste contexto que vejo se manifestar a diversidade da cultura tocantinense.

São muitas estórias, receitas de chás, benzimentos, rezadeiras de bendito, comidas típicas, bolos e as tradicionais festas em homenagens aos santos das regiões que veem carregadas de folclores, ritos e tradição.

peixe biscoitos

São muitas estórias, receitas de chás, benzimentos, rezadeiras de bendito, comidas típicas, bolos e as tradicionais festas em homenagens aos santos das regiões que veem carregadas de folclores, ritos e tradição.

Aqui não existe um lugar próprio para exposições, como um Museu, entretanto como em toda cidade interiorana temos a Banda de Música Municipal Santa Cecília.

As pessoas da comunidade a partir de 7 anos de idade podem se matricular para aprender a tocar os vários instrumentos que a compõe.

Há o Centro de cultura (Escola de Música Municipal Tenente Regino) onde são ministrados as aulas de viola, violão e teclado disponível para todos os interessados.

A matrícula é realizada anualmente e o prédio que abriga essas atividades é na sede da Secretaria Municipal de Cultura de Peixe. Os demais eventos culturais, vivenciamos ao vivo e a cores.

Nas cidades circunvizinhas (Gurupi, Natividade, Santa Rosa) já existem eventos culturais de ampla divulgação como os festivais de catira, festivais de música dentre outros eventos culturais.

A população da região supracitada é formada em sua maioria por descendentes de escravos e índios o que nos possibilitou vivenciar uma diversidade cultural muito rica.

Para ilustrar elencarei algumas atividades culturais para dar inicio a construção desse trabalho.

Das festas tradicionais, cito os festejos do Divino Espírito Santo, que é celebrado em quase todo o estado. Esta festa, possuí vários momentos os quais são essências serem aqui descritos:

No primeiro momento os foliões do Divino se reúnem para girar a folia no sertão levando e pregando o evangelho a domicilio, neste ato eles representam e simbolizam os 12 apóstolos.

No giro pelo sertão os foliões chegam há ficar entre 18 dias as de Peixe Tocantins e 40 dias as da cidade de Natividade Tocantins até o encontro das folias. São 4 folias que saem para o giro em regiões distintas, visto que é um dos grandes momentos da festa.

Alguns dias antes da chegada das folias, os festeiros composto pelo Imperador, Imperatriz, Capitão do mastro e Rainha do mastro responsáveis pela festa.

São escolhidos por sorteio anual, entre as famílias da cidade e se preparam para receber os munícipes, os visitantes e os devotos do Espirito Santo.

Esta preparação envolve muitas pessoas, onde as boleiras tem seu lugar de destaque.

Peixe Com As Boleiras De Sucesso

peixe boleiras

Elas trabalham voluntariamente fazendo e confeccionando bolos típicos tais como: amor-perfeito, douradinho, trovão, pipoca, dentre outras delícias, todos preparados à base de polvilho de mandioca.

Além dos bolos ainda são oferecidos às pessoas que participam dos festejos os licores feitos com frutas da nossa região como o jenipapo, o murici, e o araçá.

O momento crucial da festa é a levantada do mastro na porta da igreja e a coroação do imperador no dia seguinte.

Ainda sobre as sequencias de acontecimentos que regem o festejo acima mencionado, temos a súcia, esta é de origem escravocrata.

Segundo os saberes da cultura popular, eram os escravos que ao redor de uma fogueira batiam tambores e entoavam cantos lembrando os tempos de outrora e sua terra natal.

No Peixe, o canto mais conhecido da súcia é a Jiquitaia, que tem como letra: “Formiga que dói é a jiquitaia…”

Além desse, muitos outros cantos de autores desconhecidos (não se sabe quem compôs) fazem parte de tradição secular, as músicas cantadas nas rodas de súcia, são de domínio popular, uma vez que fazem parte da cultura. Letras como estas:

a) Formiga que doi … é a jiquitáia! E Formiga que doi … é a jiquitáia!

b) Eu pisei na ponte… A ponte tremeu… A agua tem veneno, morena. Quem bebeu morreu!

c) Jacaré estava na lama Debaixo da samambaia  Quero conversar com a moça  Mais a velha me atrapalha.

De acordo os mais velhos, o canto sobre as jiquitaias tem sua origem nas senzalas, pois, estas dependências destinadas aos escravos eram constantemente invadidas por essas formigas de picadas dolorosas.

Os negros logo a colocaram em no som musicalizado dos tambores, que a tradição incumbiu-se de preservá-la, perdurando até os dias atuais dentro da cultura religiosa, os festejos do Divino Espírito Santo.

O certo é que não se tem uma explicação de como essa parte da dança, súcia foi introduzida nos festejos de coroação, este de origem portuguesa.

Falar das festividades religiosas demanda um bom tempo, haja vistas que a cultura religiosa em Peixe, bem como em todo o estado do Tocantins é muito forte, a festa do Divino é apenas uma das muitas que se seguem realizando tradicionalmente em suas respectivas datas.

Cito como exemplo a Festa de Reis (janeiro), São Sebastião (janeiro), Nossa Senhora Santana (julho), Nossa Senhora D`Abadia (agosto), Senhor do Bonfim (romaria no município de Natividade Tocantins, celebrado no mês de agosto).

No entanto, faz-se necessário enfatizar de que dentre todos os festejos supramencionados, apenas o do Senhor do Bonfim e de São Sebastião não tem coroação e não é levantado o mastro, isto, não seguem o mesmo padrão descrito do Festejo do Divino Espírito Santo.

As Comidas Típicas De Peixe

peixe culinaria

Na região sul do estado do Tocantins os pratos típicos da culinária são bem variados, pois advêm de culturas de povos distintos como os negros e também os indígenas.

Por estarmos situados às margens do rio Tocantins e por estarmos diretamente inseridos em um contexto diversificado étnico o peixe é um dos principais alimentos ingeridos regularmente pelos tocantinenses e os peixenses (comunidade) não fogem a regra.

São inúmeras os pratos que se fazem como o peixe no leite, peixada, peixe na folha de bananeira e peixe frito (para ser consumido com arroz branquinho) dentre outras variedades.

Os afrodescendentes também possuem uma rica influencia na gastronomia do supracitado estado e também na nossa região (sul do estado) a exemplo cito a carne de sol, com a qual se faz o tradicional arroz serigado com pequi, carne de sol com quiabo, com abobora, a paçoca de pilão e muitas outras derivações advindas da cultura negra.

Das rezas e crendices, não poderia ser diferente, ainda temos muitas rezadeiras de benditos, um canto típico entoado no final dos terços (santo rosário) nas casas das pessoas da comunidade.

A maioria das famílias católicas dessa região têm um santo que acreditam (fé) ser o protetor de toda a sua geração e descendentes .

Em minha família, por exemplo, há dois santos protetores São Bartolomeu (família materna) e Santos Reis(família paterna).

O que é interessante é que a imagem do santo vai passando de geração em geração ao primeiro filho para continuar a tradição de celebrar a devoção e a união dos familiares e amigos.

São Bartolomeu ao qual me referi é uma imagem toda feita/entalhada em madeira e acredito ter mais de 100 anos, era da mãe da minha avó(esta morreu com 101 anos de idade), a imagem passou para a minha avó e hoje está com minha mãe( e num futuro bem distante irá para a minha irmã mais velha) é assim que a tradição vai se perpetuando ao longo dos anos.

Ainda sobre rezas, mas agora de cura… Também é costume, as pessoas levarem crianças para serem bentas de quebranto, mal olhado, dor de cabeça e outros males.

Mas apenas as senhoras mais velhas detém esse conhecimento/saber. O fato é que o ensinamento também ocorre de pai para filho e assim a crença e o saber também se matem anos a fio.

Das estórias ribeirinhas as que mais encantam dentre muitas outras são: a que fala sobre o negro d’água, contam os mais velhos que é um negrinho que costumava virar as canoas dos pescadores quando estes estavam pescando em demasia.

E a que relata o porquê do nome Peixe na cidade: contam os mais velhos em tempos muito remotos quando ainda era o arraial de “Santa Cruz das Itans” veio uma grande enchente que mudou para sempre a rotina dos moradores deste pequeno povoado às margens do rio.

Rio Tocantins Na Região Do Tropeço

peixe rio tocantins

Devido a grande enchente ocorrida na região, o rio Tocantins despejou suas águas nas vazantes, indo atingir uma grande lagoa situada a dois quilômetros do povoado.

Quando as águas baixaram um peixe de tamanho colossal ficou preso no saranãs da lagoa, onde morreu quando o rio Tocantins voltou ao seu leito natural e a lagoa tornou-se rasa.

Dizem ainda, que o peixe era tão grande que quatro mulheres batiam roupas, para lavar em sua cabeça.

Quando se deu a estiagem e as águas baixaram vinha uma caravana que vinha de Vila Boa de Goiás com destino a Natividade encontrou o dito peixe (animal) já em estado de decomposição, depois deste ocorrido, os viajantes diziam, “vamos passar pelo rio onde foi encontrado o peixe”.

Mas com o passar do tempo foram abreviando a frase até dizerem apenas: “passaremos em Peixe”. E assim ficou batizado nosso município.

Peixe é um município brasileiro do estado do Tocantins, criado em 1895 com terras desmembradas de São João da Palma. Localiza-se a uma latitude 12º01’30” sul e a uma longitude 48º32’21” oeste, estando a uma altitude de 240 metros. Área: 5.291 km²
Distante da capital Palmas 297 km    (Wikipédia)

Não só ele leva este nome, mas também o córrego pelo qual subiu o gigantesco peixe e a lagoa onde foi encontrado. Ambos ficaram conhecidos por córrego do Peixinho e lagoa do Peixe.

Receitas típicas, são muitas as receitas de comidas, bolos e bebidas que fazem parte da cultura tocantinense, para melhor compreensão segue algumas das principais receitas dessa terra onde o sol nasce para todos.

Onde no Brasão da bandeira está escrito uma afirmação em tupi para o povo tocantinense e também para todos os cidadãos que escolheram este Estado como sua terra: “CO YVY ORE RETAMA”, que em português significa ESTA TERRA É NOSSA!!!!

Faz-se necessário enfatizar de que as receitas  foram extraídas do livro “Receitas para o corpo e para a alma”, ditadas pela ilustre boleira Deuselina Oliveira Ponce (mãe Deusinha, como é conhecida na região sul do estado, pois, em tempos de outrora trouxe ao mundo muitas crianças, trabalhando de parteira).

A coletânea foi organizada por sua filha a Dra. Darlene Magalhães que o fez como homenagem aos seus 90 anos de idade comemorados em 2010.

Vale a pena enfatizar de que na região Sul do estado tem muitas boleiras, e em Peixe já foi ministrado até cursos de bolos típicos ofertados pela Prefeitura Municipal De Peixe em parceria com o SESI, onde uma boleira local (Ana Bispo de Queiroz) foi a ministrante.

Esse curso foi realizado com o intuito de preservar essa cultura imaterial, que apenas as senhoras já de idade conhecem essas receitas que dão sabor à nossa cultura. Todas boleiras da  cidade são senhoras responsáveis e detentoras de receitas deliciosas.

O Turismo No Tocantins descreveu sobre a cultura da cidade de Peixe, artigo que foi escrito pela professora Cleira Queiroz defensora da cultura peixense, que conheço pessoalmente.

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